Maria Madalena nos tempos de hoje era santa.
Levanta melhor a saia, Maria, lança mais alto teu grito que o riso em volta do povo é certo.
Eu me arrisco, eu me exponho, mostro o que de mais terrível tenho contra a humanidade equivocada: meus olhos bons, oh! A multidão se horroriza.
Eu pisco os olhos, eu mostro as palmas das mãos vazias, mostro a falta de intentos. A multidão agoniza.
Um homem entre tantos se aproxima a me testar a pureza. Uma cor? O dia nascendo. Um sabor? Beijo esperado. Um verbo? O encontrado. Uma estrada? Qualquer uma, de mãos dadas. Um sentimento? Amor apaziguado. Uma arma? A alma desarmada. Um ácido? Mentir. Uma alegria? Sequer pedir.

Todos baixaram seus corpos buscando a pedra mais próxima, mirando-me em seguida, prestes.
Eu me sentei ao modo de criança, pernas cruzadas, e o homem ao lado, num misto de reconhecimento e piedade, ergue suas mãos à platéia, aquele que não teve uma única quimera que atire a primeira e as seguintes pedras.
O nome deste homem era mesmo joão ninguém.



Escrito por A. às 16:15
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Alyuska Lins, uma certa mocinha de recife.

repleta de jazz, drummond, kundera, coltrane, nietzsche, tchaikovsky, paisagens, lispector, adélia, miguel, lisa simpson, violinos, beatles, guyton, leminski, cinema francês, luiz, tango, kafka, chopin, ardis, surrealismo, silogismos, paixões, niilismos, Deus, parênteses, entrelinhas, rios, ruas, los hermanos, zéfiros, saramago, billie holiday, olinda, hai cai, relativismos, modiglianis, cecília, balalaicas, chuva, strauss, brinquedos, passarinhos, monolitos, zemeckis, eça, metáforas, orvalhos, nuanças, sorrisos, sophia, cachorros, didactismos, jardins, pactos, palavras, voz.


.: abertura de conta :.

andei um pouco ausente nestes mares sem deuses nesta vida, a internet sem fins construtivos, em tempo de perder o fenômeno blogs e outras mumunhas mais do gênero. volto um tanto quanto surpresa e acho que aquela velha máxima do não fale de boca cheia nem de mente vazia nunca foi tão esnobada, afinal nem todo inútil deve ser prontamente descartado. ele pode antes ser lido.

só que em meio a um grito tão vasto chega a ser tentador e até confortável balbuciar alguns poucos despautérios, ainda que só a mim convençam. leminski chegou a comentar, em cartas, a idade com que morreria, sugerindo fortuito uma causa. era um impressionista até post-mortem, já que profeta. também disse que a vida hoje em dia era crônica. no sentido mais amplo da palavra, acertara mais uma vez? segue, pois, minha bagatela.


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