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borboleta no ar: Escrito por A. às 13:42 [] [envie esta mensagem] .: desataviado Um tempo houve Olhava-se em volta Desconfio hoje que seja próprio mesmo Fosse ou não mistério, sina ou pretexto Como cego acometido de milagre insólito Não me assustaria saber Escrito por A. às 17:54 [] [envie esta mensagem] .: arrepio todos os pêlos Escrito por A. às 16:53 [] [envie esta mensagem] ao menos o mito Escrito por A. às 16:52 [] [envie esta mensagem] .: a peleja porque já não se escreve como antes as folhas caíam no outono Escrito por A. às 16:05 [] [envie esta mensagem] .: retaliação água mole em pedra dura Escrito por A. às 10:07 [] [envie esta mensagem] cão Escrito por A. às 10:06 [] [envie esta mensagem] de onde estou avisto uma cidade entorpecida pela noite, uma ou outra luz se alterna nas janelas dos edifícios, o que tanto as pessoas procuram nos cômodos, que fotografias de 99 buscam no armário, de que segredos se despem no lixo da cozinha? Escrito por A. às 10:04 [] [envie esta mensagem] .: teste vocacional entre nada ser Escrito por A. às 20:09 [] [envie esta mensagem] .: lapsus não me avisaram Escrito por A. às 16:19 [] [envie esta mensagem] .: inóculos a paixão quando veio Escrito por A. às 21:52 [] [envie esta mensagem] me dizes com quem andas Escrito por A. às 21:06 [] [envie esta mensagem] .: o portento Nasceu e nesse dia não houve um só terremoto, trombetas nem sinos tocaram, nenhum céu se fechou. Sua mãe disse que quando ele veio ao mundo foi como se houvesse no ar um grande alívio. Ao menos para ela. Mas isso não o desanimou. Cresceu com certezas. Nascera para algo grande. Não importava o quanto discreta e comum a tal vida fosse, em algum momento fatídico sua identidade seria revelada e todos fariam oh e se comoveriam com o tempo que permaneceram sem saber. A cada passagem de ano a questão não era como dos outros mortais, cor da camisa, de onde se veio, para onde se vai, champangne barato ou não pros convidados. A questão para ele afinal era a espera, um ano a menos, o dia enfim que se aproximava, indisfarçável. Mas veio o tempo. O seu olhar conformado de grande homem do mundo deu espaço a uma sobrancelha arqueada, será mesmo. Veio a infância e ninguém admirou sua capacidade de espirrar quando bem quisesse, a sua habilidade de se tornar invisível no quintal todas as tardes, seu jeito com largatixas. Porque todas as crianças do mundo eram iguais a ele. Veio a juventude, poesia pelos cantos, a capacidade de amar mil garotas sem rastros, veio a sensação de que além do horizonte deveria ter. Mas não, não teve. Porque todos os jovens do mundo eram diferentes dele. Vieram pois os anos, não descobriu o código genético sozinho, não formou a fatídica banda, não foi elogiado por Veríssimo pelas colunas do jornalzinho escrito às pressas. Não virou filósofo, não se estabeleceu gênio, constrangiria o Ballets Russes dançando e não há esperanças. Caiu sobre si mesmo incrédulo com a inexistência de poderes especiais, dons miraculosos. Nada havia nele que não houvesse em cada um dos seres com que se deparou e não houve um em que ele, ao tentar causar encantamento com um cortejo de acrobacias e trejeitos, não houve um que não dissesse, eita também faço isso. Mergulhou finalmente no caldeirão largo e cinzento das multidões sem méritos e cuidou de não adiantar passos nem destoar da grande marcha até o fim. Pessoas sem rostos, sem nomes, sem finalidades por vezes lhe encaram nas ruas desertas em que caminha e quando o vêem, parece, esboçam nas bocas abertas algum som de reconhecimento. Ele pensa será, suspende o ar por instantes, teima que ainda é tempo e espera a meio passo. Mas é só bocejo. Escrito por A. às 16:58 [] [envie esta mensagem] .: fantasma Na madrugada Escrito por A. às 14:31 [] [envie esta mensagem] .: nove foras
tenho algo e pouco de bom mas não era pro amor me dar nem sei, vou cismando Escrito por A. às 21:52 [] [envie esta mensagem] |
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Alyuska Lins, uma certa mocinha de recife. repleta de jazz, drummond, kundera, coltrane, nietzsche, tchaikovsky, paisagens, lispector, adélia, miguel, lisa simpson, violinos, beatles, guyton, leminski, cinema francês, luiz, tango, kafka, chopin, ardis, surrealismo, paixões, niilismos, Deus, parênteses, entrelinhas, rios, ruas, cecília, los hermanos, zéfiros, saramago, billie holiday, olinda, hai cai, relativismos, modiglianis, balalaicas, beauvoir, silogismos, chuva, strauss, brinquedos, passarinhos, monolitos, zemeckis, eça, metáforas, orvalhos, nuanças, sorrisos, sophia, cachorros, didactismos, jardins, pactos, palavras, voz. .: dos motivos óbvios :. andei um pouco ausente nestes mares sem deuses nesta vida, a internet sem fins construtivos, em tempo de perder o fenômeno blogs e outras mumunhas mais do gênero. volto um tanto quanto surpresa e acho que aquela velha máxima do não fale de boca cheia nem de mente vazia nunca foi tão esnobada, afinal nem todo inútil deve ser prontamente descartado. ele pode antes ser lido. só que em meio a um grito tão vasto chega a ser tentador e até confortável balbuciar alguns poucos despautérios, ainda que só a mim convençam. leminski chegou a comentar, em cartas, a idade com que morreria, sugerindo fortuito uma causa. era um impressionista até post-mortem, já que profeta. também disse que a vida hoje em dia era crônica. no sentido mais amplo da palavra, acertara mais uma vez? segue, pois, minha bagatela. .: dos motivos esconsos :. por joão cabral de melo neto tua sedução é menos
de mulher do que de casa:
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.
mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,
uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.
seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;
pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;
pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,
os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,
exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.
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